Mapas Mentais: como visualizar ideias de maneira simples e eficaz

Neste artigo, a pesquisadora e professora Liliane Rezende esclarece o conceito de mapas mentais. Ela demonstra a variedade de áreas em que essa técnica pode ser usada e oferece metodologias de escrita que auxiliam o processo de estudo, tornando-o mais prazeroso e ágil.



Fonte: Wix


O mapa mental é uma ferramenta de pensamento projetada com base na eficiência de estruturas naturais do nosso cérebro. Para escrever sobre o assunto, mesmo podendo aplicá-lo em diversas áreas do conhecimento e na vida cotidiana, é preciso estudar um pouco as referências sobre linguagens e neurociências, duas bases teóricas subjacentes ao conceito básico de mapa mental.


Os mapas mentais são entendidos como um texto multimodal, aquele cujo significado se traduz por vários códigos semióticos, quais sejam um texto escrito, uma imagem estática, um vídeo, áudio, entre outros. Segundo Kress e Van Leeuween (1996), a multimodalidade é um processo pelo qual o escrito é composto por vários modos semióticos, incluindo palavras-chave e imagens. Segundo os pesquisadores, esse modo não analisa apenas o texto em si, mas busca refletir também o que o/a escritor/a do texto tenciona transmitir e quais os recursos linguístico-discursivos utilizados para enunciar a sua ideia, buscando, assim, descrever as diversas formas de construção do conteúdo textual.


Já em relação à neurociência, Roger Sperry (1913 - 1994) afirmou, em seus estudos, que:


o cérebro se divide em dois hemisférios. As pessoas que apresentam o lado esquerdo mais desenvolvido são tendentes a usarem de forma adequada a lógica, a matemática, possuindo habilidades para planejar e organizar suas ações. O lado direito do cérebro é responsável pela imaginação criativa, a serenidade, a capacidade de síntese, a facilidade de memorizar.


Para que a memória funcione adequadamente no processo de informação, se faz necessária a busca da integração entre os dois hemisférios, equilibrando assim o uso de nossas potencialidades.


Segundo Buzan (2005), os mapas mentais fazem com que usemos a imaginação e a associação ao mesmo tempo, utilizando o lado direito e esquerdo do cérebro. Assim, o mapa mental se configura como um texto multimodal, que nos ajuda a planejar e administrar informações com eficiência. Aquele que utiliza o mapa mental avalia seu processo pessoal com regularidade, além de deixá-lo mais criativo.


Quando elaboramos um mapa mental, precisamos dar atenção a algumas características importantes. É preciso partir do centro da folha para se ter mais liberdade de associar as ideias; utilizar palavras-chave, porque, ao contrário das frases prontas, elas nos dão mais liberdade de relacionar conteúdos; estabelecer uma hierarquia das ideias relacionadas ao tema central e utilizar cores, setas curvas, lettering para que o processo não fique entediante.


Fonte: Liliane Rezende


Os mapas mentais surgem como estratégias extremamente úteis nos processos de armazenagem e organização de informações. Além dessa vantagem muito importante para a educação, os mapas mentais podem ser considerados uma metodologia ativa, uma vez que cada pessoa que constrói o seu mapa mental é protagonista do seu próprio conhecimento.


Cada indivíduo tem sua própria relação com o mundo em que vive e, consequentemente, uma visão muito particular sobre o ser e estar na vida. Desta forma, cada mapa é individual e o professor pode utilizar desta ferramenta para o desenvolvimento de habilidades dos seus alunos. O primeiro passo é apresentar aos discentes a maneira como a confecção de mapas mentais pode ser uma importante estratégia para abordar, sistematizar, interpretar e fixar certo assunto.


Para o/a educador/a, conhecimentos sobre a memória são fundamentais, pois o ensino sempre visa a formação de memórias novas, através da ampliação e modificação do acervo pessoal anterior. Para ensinar, o/a educador/a tem como “matéria-prima” de seu trabalho o conhecimento formal que foi acumulado graças às capacidades do ser humano de codificar e decodificar a experiência por meio de registros, de ler e dar significado ao registro, atribuir e comunicar significações (LIMA, p. 139, 2018). Uma boa estratégia de aplicação dos mapas mentais para o trabalho de algum conteúdo em qualquer nível de ensino seria disponibilizar repertório do conteúdo escolhido, deixar um tempo para a criação do mapa individual e a socialização entre os pares construídos.


Esse passo é importante para identificação de palavras-chave ausentes.


É importante salientar que a ausência desses conceitos pode se dar por dois motivos: ou eram óbvios e não tão importantes para o mapa individual ou foram esquecidos. Assim, num quarto momento, a retomada do mapa mental pode ser potente para possíveis novas associações.

Fazendo isso, conseguimos aplicar uma metodologia ativa, fazendo com que o/a estudante seja protagonista e autor/a do seu próprio material, que exista aprendizagem entre pares e, ainda, uma avaliação personificada de cada um.



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Liliane Rezende Anastácio é doutoranda em Educação pela Universidad Nacional de Rosario (Argentina), mestre em Matemática pela Universidade Federal de São João del-Rei, licenciada em Matemática (PUC Minas) e em pedagogia (Centro Universitário de Maringá). Atualmente é professora e chefe do Departamento de Ciências Exatas da Universidade Estadual de Minas Gerais. Escreve mensalmente na Ponte, onde assina a coluna Processos de aprendizagem e tecnologias digitais.



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BUZAN, Tony. Mapas mentais e sua elaboração. Editora Cultrix, 2005.


DE MACEDO, Geovan Pedro Silva; LACERDA, Naziozênio Antonio. MULTIMODALIDADE E TECNOLOGIA: A MATRIZ VERBAL DA LINGUAGEM EM BLOGS PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA. Anais do COGITE-Colóquio sobre Gêneros & Textos, p. 116-137, 2018.


KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T. Reading images: the grammar of visual design. London, New York: Routledge, 1996.


LIMA, Elvira Souza. Educação, memórias e funcionamento do cérebro. Paidéia, p. 135-148, 2018.